Domingo, 17 de Dezembro de 2006

Ladrar ou não ladrar, eis a questão!

CATS: Acto I, Cena 11 - A Horrível Batalha dos Peques e dos Policais
   
          Carbucketty no papel de cão Polical, tenta enfrentar Munkustrap...


“There are dogs out of every nation, the Irish, the Welsh and the Dane; the Russian, the Dutch, the Dalmatian and even from China and Spain. The Poodle, the Pom, the Alsatian, and the Mastiff who walks on a chain. And to those who are frisky and frolical, let my meaning be perfectly plain that my name it is Little Tom Pollicle and you’d better not do it again![1]

 

E agora que o líder Jelical aqui está, todos podem celebrar! Nesta noite especial, uma pequena surpresa foi preparada para o líder Jelical. Munkustrap organizou um pequeno sketch do qual vai fazer a narração e em que todos os gatos jelicais se juntam para representar “A Horrível Batalha dos Peques e dos Policais[2].

 

Os gatos disfarçam-se com sapatilhas, caixas e outros desperdícios encontrados na lixeira de duas facções de cães rivais. Os Policais[3] são representados pelos toms e caracterizados por cabeças feitas de sapatos/sapatilhas e almofadas quadradas como pés enquanto que os Peques[4] são representados pelas queens e caracterizados por cabeças feitas com um saco de almofada grosseiro encorrilhado, e pés redondos almofadados. Mais tarde a estes juntam-se ainda dois outros grupos: os Pugs[5] e os Poms[6], representados pelo resto das gatas, caracterizadas por cabeças feitas com embalagens de iogurtes com narizes feitos de bolas de badminton e pés redondos.



 

Infelizmente parece que os gatos não tiveram tempo suficiente para ensaiar, o que levou Munkustrap a uma elevada consternação e a ficar deveras aborrecido: foram vários os lapsos (engraçados) que resultaram da falta de prática. Alguns exemplos são o sketch inicial entre uma peque (Rumpleteazer) e um polical (Carbucketty) que falham o ladrar um ao outro na altura devida; ou então o Rum Tum Tugger sempre a interromper a acção ao passear-se com uma gaita de foles feita de uma bola de râguebi e palhas. Também se vê várias vezes Munkustrap com cara de caso a mandar alguns gatitos mais distraídos para o seu lugar... coitado!

 

Erros à parte, a batalha decorre com gargalhadas à mistura (não apenas do público) e a apresentação das diferentes facções de cães, que há medida que vão proliferando também se vai multiplicando toda a barulheira destes “caninos” a ladrar a torto e a direito... Com tanta desordem, não admira que Munkustrap perca a paciência e com um berro estridente cala-os a todos e finalmente consegue dar a deixa ao gato que é suposto vir acabar com a balbúrdia toda: o grande Rumpuscat[7] que rapidamente restabelece a ordem e ainda arranja tempo para ilustrar a descrição que Munkustrap faz deste herói felino.



 

Mas até mesmo o Rumpuscat parece não ter estudado a lição! Ou então é um felino um tanto ao quanto exuberante... primeiro “decide” não entrar na altura certa e ainda para mais falha o local onde deveria aparecer... por alguns metros! Chateado, Munkustrap tem de ir ao seu encontro e arrasta-o pelo braço até ao sítio onde este deveria estar. Mas Rumpus não se fica por aqui: na sua rotina de ilustração de uma briga, só os bons reflexos de Munkustrap lhe valeram para não levar um pontapé na cabeça!

 

Apesar de tudo, o Velho Deuteronomy parece genuinamente ter gostado da pequena surpresa preparada para ele e dá uma saudação e reverência ao grande Rumpuscat, que como quem não quer a coisa, depressa se esgueira para fora da lixeira... ainda mais depressa com o susto de um barulho drástico: todos os gatos dão um salto e dispersam-se à medida que as luzes tremeluzem e se apagam. Mais uma vez, Demeter solta um grito de pânico: MACAVITY!

 

À vista na lixeira fica apenas o Velho Deuteronomy e Munkustrap, que rastreiam a área à volta à procura de vestígios de perigo para a tribo. Mas está ainda um outro gato com os protectores jelicais. Quaxo treme de medo atrás de Deuteronomy[8]. Com carinho, o velhote incita Quaxo a ir procurar refúgio junto dos outros gatos até que ele e Munkustrap se certifiquem que é seguro dar início ao baile...


[1] “Estão aqui cães de todas as nações, os Irlandeses, os Galeses e os Dinamarqueses; os Russos, os Holandeses e os Dálmatas e até mesmo da China e da Espanha. Os Caniches, os Pomerânios, os Alsácios e o Mastim que anda com trela. E para aqueles que são traquinas e travessos que fique bem claro, que o meu nome é Pequeno Tom Polical e é melhor não arriscares!”

[2] Tal como há a tribo dos gatos Jelicais, também existe a dos cães Policais. A história do sketch: temos por um lado os Peques e por outro os Policais que vão ladrando sem parar uns aos outros, até que são enxotados pelo grande Rampuscat, um felino que é um misto de Batman e Superhomem... sem capa, mas –tal como diz Munkustrap– muito pêlo!

[3] O termo Jelical foi criado quando a sobrinha de TS Eliot tentou dizer “dear little cat” (querido pequeno gato). Como não conseguiu pronunciar as palavras correctamente saiu “Jellicle Cat” e daí até à adopção da palavra por parte de Eliot foi um instantinho. Da mesma maneira, Pollicle Dogs refere-se à tentativa da mesma menina dizer “poor little dog” (coitado do cãozinho).

[4] Enquanto a raça de cão “Polical” é meia ficcionada, os Peques existem: são os cães pequineses.

[5] Buldogue anão (um cão originário da China antiga, ao longo dos tempos pertencia sobretudo à realeza)

[6] Cão Pomerânio

[7] Rumpuscat é representado pelo mesmo actor que faz de Alonzo (Pete Tyler)... não nos apercebemos de este deixar o palco, mas uma coisa é certa: o rapaz consegue mudar-se em tempo recorde para interpretar esta personagem!

[8] No dia 7 de Outubro não me tinha apercebido lá muito deste pequeno ET atrás do velhote, mas dia 28 de Outubro, a presença dele foi mesmo evidente... e as expressões faciais de Jean-Claude deram um outro significado à cena toda e levou a plateia ao maravilhoso mundo do gozo, já que JC deu a sensação de haver uma verdadeira ventoinha atrás do velhote!

sonhado por zia às 18:15
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

Quando um gato gosta do desconto dos cinco dedos...

CATS: Acto I, Cena 9 - Mungojerrie e Rumpleteazer

                    Mungojerrie e Rumpleteazer – dois criminosos Jelicais...


Was it Mungojerrie or Rumpleteazer? Or could you have sworn that it mightn’t be both? (…) It was Mungojerrie and Rumpleteazer and there’s nothing at all to be done about that1


Todos os gatos abandonam o palco com medo que Macavity estivesse por perto... mas o velhaco não soltou a sua gargalhada. Em vez disso soa um pequeno riso estridente...


Ruídos, gargalhadas, shhh… e de repente, vindos da parte de cima da lixeira, duas cabeças alaranjadas espreitam a ver se o caminho está desempedido. Dois gatos entram sorrateiros com dois sacos, cujo conteúdo muito dificilmente lhes pertencerá. Trata-se de Mungojerrie e Rumpleteazer, um par de jovens gémeos simpáticos, amorosos e brincalhões, sempre metidos em sarilhos com a família com quem vivem. Têm um dom especial para a confusão, e principalmente para o desconto dos 5 dedos...


Os dois ladrõezecos apresentam-nos um maravilhoso passo de dança acrobática, um bailado que supera todas as expectativas. Soberbo e simplesmente magnífico, muito bem coordenado e extremamente complicado. No meio da complicação toda ainda arranjam fôlego suficiente para nos contarem (com grande orgulho!!!) as suas façanhas e das suas excentricidades.




O que os deixa mais felizes é o facto de que conseguem sempre safar-se dos sarilhos porque a sua própria família não os consegue distinguir já que um é a cara chapada do outro, e por isso nunca chegam à conclusão de qual gato culpar. Qual dos dois terá sido? O Mungojerrie? A Rumpleteazer? E porque não ambos?


Apesar da sua queda para a ladroagem, os outros gatos Jelicais reaparecem no palco determinados a não deixar de tentar trazer aqueles miúdos de volta à razão. Afinal de contas, para que servem os amigos?



1 “Foi Mungojerrie ou Rumpleteazer? Ou poderias jurar que foram ambos? (...) Foi Mungojerrie e Rumpleteazer e não há nadinha a fazer sobre isso”

sonhado por zia às 00:01
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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Um gato do contra...

CATS: Acto I, Cena 6 - O Rum Tum Tugger

                          Rum Tum Tugger é um gato independente, brincalhão, sexy,
                                       sedutor e adorado por todas as queens


The Rum Tum Tugger is a curious cat (and there isn’t any call for me to shout it). For he will do as he do do (and there’s no doing anything about it)1


É com algum desagrado que os gatos mais velhos vêem entrar em cena Rum Tum Tugger. Este esquiva-se até às luzes da ribalta e a ele junta-se o seu pequeno clube de fãs. O Rum Tum Tugger é um brincalhão que as queens consideram extremamente atraente (e acreditem, não apenas elas – creio que o Rum deixou muitos suspiros na sala!!!), egocêntrico e é um tom sempre do contra.


Todos os gatos cantam sobre Rum, uns em tom de desdenho, outros em tom the encanto. Elas descrevem no como um gato curioso/misterioso, enquanto os toms acham que ele é apenas uma grande seca. Ele descreve-se como estando sempre no lado errado da porta, e se lhe oferecem um rato ele prefere uma ratazana ou vice-versa! Mas num ponto todos acabam por concordar: na realidade o “Rum Tum Tugger é um gato curioso2...


Sempre de um lado para o outro com a sua pequena multidão dançante, Rum revela o seu estatuto de estrela de rock felina, e ignora os olhares menos avantajados dos gatos mais velhos. Ele também desembaraça-se dos avanços mais do que óbvios de Bombalurina à sua felinidade, acabando por a deixar cair desamparada no chão (mas em pé). Este acto leva a que ambos levem uma relação de provocação e brincadeira até ao fim do espetáculo.

A dada altura Rum Tum Tugger salta do palco até à audiência, escolhendo uma rapariga (adulta ou não) e acaba por se meter com ela ali mesmo, perante os olhares embasbacados dos espectadores à volta e da própria moça. Conforme a pessoa deixe ou não, ele acaba mesmo por ser mais divertido, irreverente e provocante.

De volta, reassume a sua pose no centro do palco e balança as suas ancas enquanto as gatas se aproximam mais e mais para o observar cada vez mais de perto, olhos enormes e sensação de quem está a ganhar água na boca. Os outros toms tentam imitá-lo... Rum faz várias pausas em notas altas enquanto leva as gatitas à loucura total, principalmente quando uma delas (Rumpleteazer) não aguenta e começa a gritar com toda a força... até que Rum, com um sorriso maroto, a cala ao tapar-lhe a boca.

Rum Tum Tugger termina a sua canção com um sorriso de orelha a orelha e olha satisfeito à sua volta como todos se chegam a ele... excepto Rumpleteazer a quem lhe deu um chilique ao ser tocada por ele e caiu para o lado...



1 “O Rum Tum Tugger é um gato curioso (e não há necessidade para fazer alarido sobre isso). Pois ele fará o que fará (e não há nadinha a fazer sobre isso)”

2 Esta é provavelmente a actuação mais provocatória da peça toda, mas ao mesmo tempo muito querida. Rum é divertido e simplesmente de cair para o lado... e o actor que lhe veste a pele, tem uma voz de chorar por mais... como alguém disse, um Adónis (não único) perfeito! É um dos gatos com mais protagonismo durante todo o espetáculo. Podemos sempre apreciá lo com o seu ar altivo, brincalhão, sedutor, atento e quando a ocasião o pede: sério. Apesar do seu ar às vezes enjoado, consegue despertar no fundo do coração aquele amor todo que os gatos nos conseguem fazer sentir... nem que parta a casa, basta um ronronar para tudo estar bem!


sonhado por zia às 00:01
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