Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Que a memória viva para sempre...

CATS: Acto II, Cena 7 - Memória

                              Jemima anuncia o fim do Baile Jelical…

 

“Daylight, see the dew on a sunflower and a rose that is fading… roses wither away. Like the sunflower I yearn to turn my face to the dawn: I am waiting for the day…[1]

 

No silêncio da noite, todos os gatos se apercebem que o amanhecer aproxima-se e com este o fim do Baile Jelical quando Jemima, do topo da lixeira e com uma voz doce, anuncia a chegada dos primeiros raios de sol: quando finalmente o orvalho se pode ver nos girassóis.

 

Munkustrap comunica que chegou o momento pelo qual todos esperavam: finalmente o Velho Deuteronomy vai escolher o gato ou a gata que poderá renascer para uma nova vida Jelical. Todos saúdam o velho líder e levantam as patas na esperança de serem escolhidos… mas são interrompidos.

 

Pela terceira vez, Grizabella volta à lixeira, apesar de estar cansada do tratamento injusto que tem recebido dos seus velhos companheiros Jelicais. Rum com um golpe e um olhar de desdém atira a sua juba para trás manifestando a sua repulsa pela interrupção, que ele considera rude, causada pela velha gata. Alguns gatinhos tentam chegar até ela, mas são afastados e Demeter, que também tenta chegar a ela, rapidamente volta para junto de Alonzo e protege-a carinhosamente.

 

Ao desistirem de chegar até Griz, os gatinhos mais novos acabam por imitar os Jelicais mais velhos, que se viram de costas e escondem a sua cabeça… como que tentando não escutar as palavras da velha queen. A única excepção é o Velho Deuteronomy que, ao levantar a sua pata, lhe dá autorização para ela… cantar.

 

Desta vez a velha gata canta com toda a sua alma, cada verso denotando mais e mais a sua tortura e necessidade de ser aceite novamente. Quase em jeito de súplica Griz pede aos Jelicais para a compreenderem e lhe darem uma nova oportunidade, explicando o quanto deseja reviver as alegres lembranças que ainda lhe restam de quando era bela, de quando era feliz… antes de cair no erro de abandonar os amigos e enveredar pelo caminho da prostituição…

 

Ela parece cantar também como se os desafiasse a pensar se vale a pena julgá-la sem saber aquilo por que passou, ciente de que eles deveriam conhecer melhor as amarguras que a vida pode trazer… mas rapidamente os seus próprios sentimentos parecem subjugá-la e ela cai desamparada no chão, vencida pelo desespero e pela culpa. O cansaço e o desgosto minaram Griz, e roubaram-lhe as últimas energias que lhe restavam.

 

À medida que ia cantando a sua alma os Jelicais, vagarosamente um a um, iam-se voltando e fitavam-na… finalmente prestando atenção às suas palavras. Primeiro os mais novos, depois os mais velhos até que finalmente Rum e Jennyanydots também se viraram para a observar e ouvir.

 

Vindo da audiência, o som de fungadelas propagam-se aqui e ali… todo o público já se rendeu à velha gata denegrida pela vida. Perceberam a mensagem. Mas tal como Griz, também o público tem de esperar por uma absolvição…

 

Quando Grizabella caiu, como que enviada pelos céus Jemima ergueu-se e num tom doce e misericordioso retomou a canção de Griz como que para a encorajar, esperando dar-lhe uma nova força. Fala provavelmente de uma memória sua que a faz feliz, a qual deve ser comum a todos os Jelicais… Griz reconhecendo aquele momento de felicidade, e espantada pela ajuda da gatinha, pareceu encher-se de energias renovadas e com grande emoção e força de vontade levantou-se e canta com uma força imensa, força que jamais haveria demonstrado possuir, revelando o seu maior desejo: ser tocada! Ser novamente aceite pela tribo que havia abandonado. Lembra-os de que será mais fácil para eles deixá-la assim, mas explica o que acontecerá se pelo contrário decidissem finalmente tocar-lhe: eles conhecerão o que é a felicidade e um novo dia começará para ela, apontando então para o novo dia que já raia…

 

O Baile acabou e ela ainda não foi aceite. A sua esperança rapidamente desaparece e ela tristemente afasta o seu olhar do calor do sol e começa novamente a arrastar-se com dificuldade abandonando de vez os Jelicais… 

 

Mas Victoria levantou-se e deu uns passos. Griz ao sentir o movimento atrás dela não teve coragem de olhar para trás. Em vez disso, tal como havia feito anteriormente nessa noite, estendeu a sua pata para trás: numa derradeira esperança de ver o seu sonho tornado realidade…

 

Ao aperceber-se que desta vez ninguém a impedia de se aproximar da velha gata, Victoria olhou para o Velho Deuteronomy como que a pedir-lhe autorização e com o consentimento deste, a gatinha branca acabou por finalmente tornar o sonho da velha queen rejeitada em realidade.



 

Griz, depois de recuperar da surpresa inicial, finalmente solta um olhar de alívio e um sentimento de alegria pura pode ser vislumbrado na sua face ao virar-se e ver Victoria a fossar na sua pata. Todos os outros gatos se juntam a elas e formam uma linha através da qual todos eles a aceitam de volta, devolvendo-lhe olhares de arrependimento e aceitação. Griz é novamente uma gata Jelical!


Mas essa linha conduz directamente até ao velho líder…


[1] “Luz do dia, olha o orvalho no girassol e uma rosa que se desvanece… as rosas também murcham. Como o girassol anseio encarar o amanhecer: estou à espera do dia…”

sonhado por zia às 21:16
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sábado, 23 de Dezembro de 2006

De gatos malandros e caixinhas de recordações

CATS: Acto II, Cena 1 - Os Momentos de Felicidade/Memória
                  Jemima, ajudada pelos poderes de Coricopat e Tantomile
                                     leva-nos a um momento mágico

 

 

“The past experience revived in the meaning is not the experience of one life only but of many generations – not forgetting something that is probably quite ineffable1

 

Depois do baile Jelical, os gatos vão-se juntando, um a um, ao Velho Deuteronomy. Eles vêm de todos os lados e às pingas: pelo palco (os dois primeiros a aparecerem são Coricopat e Tantomile); pela porta/cortina do lado esquerdo à beira do palco (Cassandra) ou então pelo meio do público (Skimbleshanks).

 

No dia 28 de Outubro, durante o intervalo fiquei a conversar com um dos rapazes (Paulo) que trabalhava no Coliseu dos Recreios. De repente... abriu-se a cortina de rompante... e de lá “saltou” (ou pelo menos pareceu-me) uma gata! Qual a minha reacção? Um salto de susto e um berro tal que ainda hoje ecoa nos meus ouvidos... Olho novamente para a entrada, e que vejo eu?! Uma gata exótica a olhar, perplexa, para mim! Era Cassandra (juro que é Egípcia) e as únicas palavras que consegui articular foram “I’m sorry...” ainda com o coração aos pulos.

 

Ela continuou com o seu ar interrogativo a olhar para mim, como se dissesse “então o que foi isso?!?” e passado breves momentos, que me pareceram uma eternidade pelo seu olhar inquisitivo, ela lá se dirigiu para o palco... embora fosse suposto ir interagir com o público. Coitada, às tantas assustei-a eu também! Que vergonha!!!


             John McManus, Skimbleshanks do elenco da UK Tour 2006-07

 

Depois da Cassandra voltar para o palco, lá continuei à conversa com o moçoilo, quando de repente ouço um miar... espera um minuto!!! Eu reconheceria aquele miar em qualquer lado do mundo! Olho para trás e o Skimbleshanks está de roda dos meus pais, todo deliciado pois o meu pai mia-lhe e a minha mãe faz-lhe festas. Logicamente os meus pais estavam tão melados quanto o Skimble... Eu virei-me para o Paulo e disse-lhe “Pois, estás a ver a minha sorte... quando devia estar no meu lugar para ter contacto com os gatos... não, estou aqui!” Bem ao menos os meus pais estavam a divertir-se e o resto das pessoas mais perto que estavam a assistir à cena riam-se um bocado, porque realmente foi fantástico e engraçado! E eu confesso que fiquei com uns ciúmes jeitositos!

 

Mas nem sequer tive tempo para desfrutar desses ciúmes. Enquanto converso com o Paulo, de repente, sinto algo a roçar-me nas pernas... “Mas... o que é isto?!?”, pensei eu. Olhei para baixo e estava o Skimble à volta das minhas pernas, todo dengoso, tal e qual um gato, a roçar-se nas minhas pernas... uma ternura incrível! Simplesmente fantástico! Eu, feita parva, continuei à conversa enquanto me ria... quem pareceu não gostar muito da atenção que dei à cena (ou melhor, falta dela) foi o próprio Skimble! Como se estivesse chateado por eu nada lhe ligar, pega e pimba! Manda-me um encontrão nas pernas com o corpo e vai ligeirinho para o palco!

 

Eu, que quase caí (obrigada Paulo), espatifei-me a rir mas penso que foi do nervoso que senti por ouvir a maior parte do Coliseu a rir já que tinham assistido à cena em directo e a cores! Fiquei tão vermelha... e cá com uma raivinha! Mas confesso que no fim achei um piadão... embora fique no ar uma vingançazinha que devo ao fabuloso Skimble – John McManus, quando te apanhar digo-te das boas!

 

Bem, demorou ainda um bocadito até eu voltar ao meu lugar (na verdade o Velho Deut já estava a cantar quando me sentei), mas quando o fiz estava cá com um espírito...

 

O segundo acto começou então com todos os gatos reunidos à volta do Velho Deuteronomy, num momento de repouso relaxante. O próximo candidato aparece acompanhado por Jellylorum que o ajudou a juntar-se ao grupo. Trata-se de Gus, do qual falaremos na próxima cena. Assim que se senta, Deut recita para os Jelicais (e porque não para nós também) num tom reflectivo o poema chamado “Os Momentos da Felicidade”.

 

Nas suas sábias palavras, nós “vivemos a experiência, mas evitamos o seu significado, e o abordar do significado poder restaurar a experiência numa outra forma além de qualquer significado que possamos dar à felicidade”. Deuteronomy parece tentar ensinar algo aos gatos, embora para já eles ainda não percebam o quê. De lembrar que no fim do primeiro acto, o velhote foi a única testemunha da dor e vontade de ser aceite de Grizabella. Provavelmente ele está a tentar abrir os olhos dos Jelicais.

 

Como a mente dos gatos parece não estar disposta a abrir-se para esta mensagem, Deut embarca numa nova táctica: telepaticamente manda uma mensagem a qual é recebida inicialmente por Coricopat. Este em sinal de que a havia recebido, põe-se de gatas a fitar a audiência e levanta a mão direita e estremece-a até Tantomile receber a mensagem, pôr-se de joelhos e finalmente agarrar a mão do irmão... Então Jemima agarrou a mão de Tantomile e levantou-se para cantar a mensagem que Deut acabava de lhes passar: Jemima levou várias pessoas da audiência às lágrimas ao entoar angelicalmente “Memory”2. Ela disse aos Jelicais para olharem para a lua e deixarem as suas recordações levá-los numa viagem até a uma altura em que eles eram completamente felizes... e então quiçá eles consigam encontrar um novo significado nas suas vidas que derive dessa memória.


 
             Jemima, Tantomile e Coricopat ainda estupfactos pelos momentos
                                            que acabaram de viver...

 

Assim que Jemima acabou de cantar, o contacto quebrou-se e os três gatos olharam uns para os outros tentando perceber o que tinha acabado de acontecer. Mas a mensagem tinha finalmente passado a barreira do incompreensível e todos os outros Jelicais tentavam interpretá-la enquanto faziam ressoar as palavras que Jemima acabava de lhes proferir. E quando parece que realmente tinham atingido o núcleo fulcral da mensagem, todos se levantam e... o momento passou... Perderam a sua concentração e começam a cirandar novamente pela lixeira...

 

E chega então a vez de Gus ser conduzido até ao centro do palco...

 

 



1 “A experiência do passado restaurada pela intenção não é a experiência de uma vida apenas mas de muitas gerações – não esquecendo algo que é provavelmente completamente inexplicável”
2 A 7 de Outubro, a emoção de se ouvir novamente a famosa melodia de “Memory” cantada ao vivo foi recebida com um forte aplauso... bem merecido! Jemima (Louise Barratt) tem uma voz doce e potente...
sonhado por zia às 05:51
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito

mais sobre mim

:::pesquisar aishitenight:::

 

:::tags:::

Todas as tags deste blog

:::luas recentes:::

Que a memória viva para s...

De gatos malandros e caix...

:::noites passadas:::

Outubro 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

::: links :::

Anastasia
Anime News Network
Astérix et Obélix
BeeHive
Best Anime
Blog da Pimentinha
BRB Internacional
Broadway
Broadway - The Lion King
Catedral
Christian Kurrat
Chuviscos
Misteriosas Cidades d'Ouro
Disney
Disney on Broadway
Do What You Dream
Door to Fantasia
Kemet
Kiss Me Licia
Liquid Experience
Me, Myself and I
Movimentum...
Movimentum 2...
Mulher dos 50 aos 60
NASA
National Geographic
Niekonczaca Sie Opowiesc
per-Bast
Photograhy Directory
The NeverEnding Story
The Temple of Bast
The Universe of Shoujo Manga
Timor Aid
Tintim
TV Series
TV Wunschliste

:::favoritos:::

A nova versão do YMCA!!! ...

Respeito precisa-se...

Que a memória viva para s...

Pouca-terra, pouca-terra....

Fantasmas do passado...

De gatos malandros e caix...

Um gato do contra...

Os Jelicais podem...

Problemas com baratas des...

Hamlet para todos!

:::tags:::

Todas as tags deste blog

subscrever feeds