Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Respeito precisa-se...

CATS: Acto II, Cena 9 - Como se Dirigir a um Gato

                                  Deuteronomy dá-nos a lição final…

 

“You’ve learned enough to take the view that cats are very much like you […] so first your memory I’ll jog and say a cat is not a dog…[1]

 

Assim que Grizabella desaparece nas Alturas, o pneu de Deuteronomy começa a baixar, parando a meio caminho quando o velho líder espraia o olhar sobre toda a audiência. O velho sábio parece estar muito satisfeito com o decorrer da noite, mas há ainda uma última lição para os humanos, um último detalhe que precisa ficar claro antes de dar a noite por terminada: como nos devemos dirigir a um gato!

 

Diz-nos ele que esta noite se falou sobre diversos tipos de gatos e que por esta altura já não deveríamos precisar de nenhum intérprete entre nós e os felinos para os compreendermos a fundo: vimos como eles brincavam, vimos como eles trabalhavam, conhecemos os seus hábitos e o seu habitat, não esquecendo que aprendemos alguns dos seus verdadeiros nomes.

 

Antes de mais nada, não pode haver dúvida alguma de que um gato NÃO é um cão! E que cada um tire daí as suas ilações! Uns defendem que não nos devemos dirigir a um gato até que ele se dirija a nós, mas Deuteronomy não partilha dessa opinião, revelando que no entanto há pontos críticos que se devem ter em conta para que um felino não fique indignado com a nossa presença: primeiro devemos conhecer quais os seus gostos gastronómicos e ir de acordo com o seu apurado paladar quando lhe oferecemos uma lambice; finalmente devemos saudá-lo com respeito mas sem exageros: os gatos não gostam que lhes dêem graxa!

 

Durante os últimos momentos da noite, para terem a certeza que compreendemos a fundo, num grande coro os Jelicais enfatizam que “os gatos merecem todas as evidências de respeito, sendo que isto é assim e é um facto pois assim é que se devem dirigir a um gato”…



 

Com os seus braços levantados para o céu e as suas alegres vozes ascendentes, felizes por terem passado pelo menos duas ou três mensagens ao público, os gatos fazem uma saudação final ao mesmo tempo que as estrelas desaparecem e as luzes caem sob a lixeira: o Baile Jelical acabou em glória!



[1] “Aprenderam quanto baste para ficarem esclarecidos que os gatos parecem-se convosco […] Primeiro chamarei a vossa atenção e direi que um gato não é um cão…”

sonhado por zia às 14:04
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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

A Escolha Jelical

CATS: Acto II, Cena 8 - A Viagem para a Camada Celestial

             Grizabella embarca numa viagem desejada por todos os Jelicais…

 

 

“The mystical divinity of unashamed felinity round the Cathedral rang ‘Vivat’ – life to the everlasting cat![1]

 

Através da linha formada pelos Jelicais que conduziu Grizabella até ao velho líder, todos os Jelicais abdicaram da sua própria hipótese de se elevarem até à Camada Celestial, onde os gatos Jelicais renascem: tinham decidido que Griz a merecia mais do que qualquer um deles…

 

Mas Griz apenas se apercebe que foi a gata escolhida quando Munkustrap, fazendo-lhe uma vénia, a passa para as mãos do Velho Deuteronomy que a agarra ternamente enquanto a guia até ao grande pneu. Todos os outros Jelicais seguem atrás deles, deixando uma distância respeitosa. Por esta altura já todo o palco se envolve numa fumaça revolta…



 

Ao sinal da pata de Deuteronomy, o pneu começa a flutuar, elevando-se e movendo-se lentamente para a frente enquanto os gatos continuam a entoar um cântico alegre a plenos pulmões, que indicia o que vai acontecer “para cima até à Camada Celestial, para além da Lua Jelical, até à Camada Celestial”.

 

Finalmente o pneu atinge a altura necessária para que Griz possa alcançar uma escadaria que faz lembrar uma nuvem cheia de luzes (e porque não a entrada para um disco voador?!). Do alto alguém estende a mão a Griz, ajudando-a a dar os últimos passos no nosso espaço astral, enquanto todos os toms e queens lhe acenam um adeus final, deixando no ar mais uma referência à mística deusa Egípcia Bast: “vida à Gata imortal”…


[1] “A mística divindade de felinidade assegurada, pela catedral ecoa felicidade, vida à Gata imortal!”

sonhado por zia às 11:41
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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Que a memória viva para sempre...

CATS: Acto II, Cena 7 - Memória

                              Jemima anuncia o fim do Baile Jelical…

 

“Daylight, see the dew on a sunflower and a rose that is fading… roses wither away. Like the sunflower I yearn to turn my face to the dawn: I am waiting for the day…[1]

 

No silêncio da noite, todos os gatos se apercebem que o amanhecer aproxima-se e com este o fim do Baile Jelical quando Jemima, do topo da lixeira e com uma voz doce, anuncia a chegada dos primeiros raios de sol: quando finalmente o orvalho se pode ver nos girassóis.

 

Munkustrap comunica que chegou o momento pelo qual todos esperavam: finalmente o Velho Deuteronomy vai escolher o gato ou a gata que poderá renascer para uma nova vida Jelical. Todos saúdam o velho líder e levantam as patas na esperança de serem escolhidos… mas são interrompidos.

 

Pela terceira vez, Grizabella volta à lixeira, apesar de estar cansada do tratamento injusto que tem recebido dos seus velhos companheiros Jelicais. Rum com um golpe e um olhar de desdém atira a sua juba para trás manifestando a sua repulsa pela interrupção, que ele considera rude, causada pela velha gata. Alguns gatinhos tentam chegar até ela, mas são afastados e Demeter, que também tenta chegar a ela, rapidamente volta para junto de Alonzo e protege-a carinhosamente.

 

Ao desistirem de chegar até Griz, os gatinhos mais novos acabam por imitar os Jelicais mais velhos, que se viram de costas e escondem a sua cabeça… como que tentando não escutar as palavras da velha queen. A única excepção é o Velho Deuteronomy que, ao levantar a sua pata, lhe dá autorização para ela… cantar.

 

Desta vez a velha gata canta com toda a sua alma, cada verso denotando mais e mais a sua tortura e necessidade de ser aceite novamente. Quase em jeito de súplica Griz pede aos Jelicais para a compreenderem e lhe darem uma nova oportunidade, explicando o quanto deseja reviver as alegres lembranças que ainda lhe restam de quando era bela, de quando era feliz… antes de cair no erro de abandonar os amigos e enveredar pelo caminho da prostituição…

 

Ela parece cantar também como se os desafiasse a pensar se vale a pena julgá-la sem saber aquilo por que passou, ciente de que eles deveriam conhecer melhor as amarguras que a vida pode trazer… mas rapidamente os seus próprios sentimentos parecem subjugá-la e ela cai desamparada no chão, vencida pelo desespero e pela culpa. O cansaço e o desgosto minaram Griz, e roubaram-lhe as últimas energias que lhe restavam.

 

À medida que ia cantando a sua alma os Jelicais, vagarosamente um a um, iam-se voltando e fitavam-na… finalmente prestando atenção às suas palavras. Primeiro os mais novos, depois os mais velhos até que finalmente Rum e Jennyanydots também se viraram para a observar e ouvir.

 

Vindo da audiência, o som de fungadelas propagam-se aqui e ali… todo o público já se rendeu à velha gata denegrida pela vida. Perceberam a mensagem. Mas tal como Griz, também o público tem de esperar por uma absolvição…

 

Quando Grizabella caiu, como que enviada pelos céus Jemima ergueu-se e num tom doce e misericordioso retomou a canção de Griz como que para a encorajar, esperando dar-lhe uma nova força. Fala provavelmente de uma memória sua que a faz feliz, a qual deve ser comum a todos os Jelicais… Griz reconhecendo aquele momento de felicidade, e espantada pela ajuda da gatinha, pareceu encher-se de energias renovadas e com grande emoção e força de vontade levantou-se e canta com uma força imensa, força que jamais haveria demonstrado possuir, revelando o seu maior desejo: ser tocada! Ser novamente aceite pela tribo que havia abandonado. Lembra-os de que será mais fácil para eles deixá-la assim, mas explica o que acontecerá se pelo contrário decidissem finalmente tocar-lhe: eles conhecerão o que é a felicidade e um novo dia começará para ela, apontando então para o novo dia que já raia…

 

O Baile acabou e ela ainda não foi aceite. A sua esperança rapidamente desaparece e ela tristemente afasta o seu olhar do calor do sol e começa novamente a arrastar-se com dificuldade abandonando de vez os Jelicais… 

 

Mas Victoria levantou-se e deu uns passos. Griz ao sentir o movimento atrás dela não teve coragem de olhar para trás. Em vez disso, tal como havia feito anteriormente nessa noite, estendeu a sua pata para trás: numa derradeira esperança de ver o seu sonho tornado realidade…

 

Ao aperceber-se que desta vez ninguém a impedia de se aproximar da velha gata, Victoria olhou para o Velho Deuteronomy como que a pedir-lhe autorização e com o consentimento deste, a gatinha branca acabou por finalmente tornar o sonho da velha queen rejeitada em realidade.



 

Griz, depois de recuperar da surpresa inicial, finalmente solta um olhar de alívio e um sentimento de alegria pura pode ser vislumbrado na sua face ao virar-se e ver Victoria a fossar na sua pata. Todos os outros gatos se juntam a elas e formam uma linha através da qual todos eles a aceitam de volta, devolvendo-lhe olhares de arrependimento e aceitação. Griz é novamente uma gata Jelical!


Mas essa linha conduz directamente até ao velho líder…


[1] “Luz do dia, olha o orvalho no girassol e uma rosa que se desvanece… as rosas também murcham. Como o girassol anseio encarar o amanhecer: estou à espera do dia…”

sonhado por zia às 21:16
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