Terça-feira, 27 de Março de 2007

Feliz Dia Mundial do Teatro

Hoje, mais uma vez, celebra-se o dia mundial do Teatro... em vez de postar um artigo sobre o teatro, ou escrever algo mais, vou apenas deixar aqui um vídeo de tributo ao excelente elenco da digressão britânica do Cats (elenco de 2006-2007)... e que bom "par" de gatos chorões eles foram no último dia em que o elenco original estava junto... era baba e ranho a escorrer... mas sobre isso haverá tempo de falar um dia mais tarde... para já fica um vídeo dedicado a eles e a todos quanto fazem do teatro o seu ofício... para todos ficam os meus votos de muita merda e muitas pernas partidas!!!

música: Don't Cry - Guns 'n Roses
sinto-me: estourada...
sonhado por zia às 21:34
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Tudo está bem quando acaba bem...

CATS: Grand Finale

               O elenco que apresentou CATS em Portugal, a NAP16!

 

 

“And we all say, oh well I never was there ever a cat so clever as Magical Mr. Mistoffelees…[1]

 

O espectáculo CATS terminou com mais uma investida dos gatos Jelicais à audiência! Depois de acabarem de cantar “Como se Dirigir a um Gato”, os felinos saltaram do palco e espalharam-se por todos os cantos e esquinas, metendo-se com vários elementos do público.

 

Na primeira vez, dia 7 de Outubro, vi espantada a interacção dos gatos com o público: os felinos andavam por todos os lados e puseram algumas crianças a chorar e outros espectadores a rir… Porém dia 28 de Outubro, talvez dada a minha proximidade com o palco, o Mr. Mistoffelees dessa noite (Jean-Claude Pelletier) que já me havia encadeado com o holofote, parece que em jeito de pedir desculpa veio direitinho a mim e fez-me festinhas na cara… ah!, como cheirava bem! O que até é de espantar pois pensava que a esta altura do campeonato o cheiro deveria ser nauseabundo!

 

Enquanto alguns gatos andavam pelo público, outros estavam ainda no palco a fazerem “palhaçadas” ou então a presentearem-nos com mais umas acrobacias como foi o caso de Rumpleteazer e Mungojerrie que fizeram mais uns saltos mortais de lado! Excelente!

 

Depois de se meterem uma última vez com o público, os gatos voltaram ordenadamente para o palco e fizeram uma última vénia “à la gato” e sumiram-se pelos lados da lixeira…

 

Então, um a um ou aos pares (como no caso dos dois grupos de gémeos), vieram agradecer a ovação, fazer as suas vénias finais e até mesmo alguns deles mais umas gracinhas até cada um se dirigir para o seu canto favorito da lixeira de onde observam os outros com emoção.

 

Finalmente todo o elenco está em palco e então fazem uma vénia conjunta perante a grande ovação e os assobios animados do público! Está oficialmente acabado o espectáculo do CATS?! Bem, pelos vistos ainda não…

 

Enquanto alguns gatos ficam no palco a brincarem uns com os outros (como por exemplo a Griz a fazer-se ao Rum e quando ele corre para ela, ela desaparece ainda mais depressa… a cara de ambos os actores é de partir a rir!!!), outros tal como entraram pela audiência, também saíram pelo meio do público!

 

Pois é… a meu ver tudo o que é bom acaba muito rapidamente! Completamente extasiada, observo as últimas movimentações dos gatos… mas no dia 7 de Outubro, quando menos esperava, levei uma última recordação do CATS… Foi uma recordação que me aqueceu, embora tenha sido um bocado dolorosa….

 

Ao saírem pelos corredores, passou por mim Coricopat (Philip Comley) que enquanto cantava “…um gato assim tão esperto…” resolveu virar-se para trás e… zás, trás, pás!

 

A minha mãe perguntou-me o que ele me tinha dito, e eu meia incrédula consegui entre risos responder: “Ele… ele bateu-me!!!” – pois foi isso mesmo! Primeiro fez‑me uma festinha durante o Mr. Mistoffelees e no fim deu-me uma valente palmada no rabo!!!

 

Estou a ver que apanhei um gato do contra!!! Mas adorei!!! E repetiria tantas vezes quantas possíveis…

 

CATS? Surpreendente! Um espectáculo inserido no próprio espectáculo, cheio de felinidade, movimento, ritmo, expressão e delicadeza! Nota 20…

 

 

 

Este é o elenco que participou nos espectáculos que vi em Portugal: (disposto pela ordem das fotografias no topo do post)

  • Dean Maynard: Munkustrap; substituto extra para Bustopher Jones, Aspargus e Growltiger
  • Philip Comley: Coricopat e Ghengis (o gato que me bateu!!!)
  • Kevin McGuire: Carbucketty (dia 28 de Outubro foi substituído por um swing já que uns espectáculos antes, ao fazer de Mr. Mistoffelees torceu um pé e foi obrigado a tirar 4 semanas de ‘folga’);  primeiro substituto para Mr. Mistoffelees
  • John McManus: Skimbleshanks (o gato que quase me deitou ao chão…)
  • Peter Tyler: Alonzo e Rumpuscat; primeiro substituto para Munkustrap e substituto extra para Rum Tum Tugger
  • Gary Watson: Rum Tum Tugger
  • Zak Nemorin: Mungojerrie; primeiro substituto para Rum Tum Tugger
  • Nick Pound: Velho Deuteronomy
  • Lorraine Chappell: Bombalurina
  • Rachel Ensor: Victoria
  • Zoë Curlett: Jellylorum
  • Lauren Brooke: Cassandra; primeira substituta para a personagem "Bombalurina"
  • Dianne Pilkington: Grizabella
  • Christopher Howell: Aspargus, Gus, Bustopher Jones e Growltiger
  • Alex Durrant: Bill Bailey
  • Lorraine Graham: Jennyanydots
  • Louisa Barratt: Jemima; substituta extra para Victoria
  • Zoë Smith: Demeter; substituta extra para Grizabella e Jennyanydots
  • Sarah Meade: Rumpleteazer; substituta extra para Demeter
  • Carrie Sutton: Tantomile; substituta extra para Jellylorum e primeira substituta para Jemima e Rumpleteazer
  • Callum Nicol: Admetus e Macavity; actor substituto para Skimbleshanks
  • Jean-Claude Pelletier: actor substituto - Mr. Mistoffelees (28 de Outubro), Mungojerrie e Carbucketty
  • Amèlie Munier: actriz substituta - Jemima; Victoria
  • Phil Hogan: actor substituto - Skimbleshanks
  • Jennifer Hepburn: actriz substituta - Grizabella; Jellylorum
  • Barry Haywood: actor substituto - Bustopher Jones, Aspargus e Growltiger; Velho Deuteronomy
  • Louise Perez: actriz substituta - Bombalurina; Demeter; Jennyanydots; Rumpleteazer e Tantomile
  • Trevor Schoonraad: Quaxo e Mr. Mistoffelees


[1] “E todos nós dizemos nunca houve decerto um gato assim tão esperto como o Mágico Mr. Mistoffelees…”

sonhado por zia às 01:18
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Sábado, 23 de Dezembro de 2006

De gatos malandros e caixinhas de recordações

CATS: Acto II, Cena 1 - Os Momentos de Felicidade/Memória
                  Jemima, ajudada pelos poderes de Coricopat e Tantomile
                                     leva-nos a um momento mágico

 

 

“The past experience revived in the meaning is not the experience of one life only but of many generations – not forgetting something that is probably quite ineffable1

 

Depois do baile Jelical, os gatos vão-se juntando, um a um, ao Velho Deuteronomy. Eles vêm de todos os lados e às pingas: pelo palco (os dois primeiros a aparecerem são Coricopat e Tantomile); pela porta/cortina do lado esquerdo à beira do palco (Cassandra) ou então pelo meio do público (Skimbleshanks).

 

No dia 28 de Outubro, durante o intervalo fiquei a conversar com um dos rapazes (Paulo) que trabalhava no Coliseu dos Recreios. De repente... abriu-se a cortina de rompante... e de lá “saltou” (ou pelo menos pareceu-me) uma gata! Qual a minha reacção? Um salto de susto e um berro tal que ainda hoje ecoa nos meus ouvidos... Olho novamente para a entrada, e que vejo eu?! Uma gata exótica a olhar, perplexa, para mim! Era Cassandra (juro que é Egípcia) e as únicas palavras que consegui articular foram “I’m sorry...” ainda com o coração aos pulos.

 

Ela continuou com o seu ar interrogativo a olhar para mim, como se dissesse “então o que foi isso?!?” e passado breves momentos, que me pareceram uma eternidade pelo seu olhar inquisitivo, ela lá se dirigiu para o palco... embora fosse suposto ir interagir com o público. Coitada, às tantas assustei-a eu também! Que vergonha!!!


             John McManus, Skimbleshanks do elenco da UK Tour 2006-07

 

Depois da Cassandra voltar para o palco, lá continuei à conversa com o moçoilo, quando de repente ouço um miar... espera um minuto!!! Eu reconheceria aquele miar em qualquer lado do mundo! Olho para trás e o Skimbleshanks está de roda dos meus pais, todo deliciado pois o meu pai mia-lhe e a minha mãe faz-lhe festas. Logicamente os meus pais estavam tão melados quanto o Skimble... Eu virei-me para o Paulo e disse-lhe “Pois, estás a ver a minha sorte... quando devia estar no meu lugar para ter contacto com os gatos... não, estou aqui!” Bem ao menos os meus pais estavam a divertir-se e o resto das pessoas mais perto que estavam a assistir à cena riam-se um bocado, porque realmente foi fantástico e engraçado! E eu confesso que fiquei com uns ciúmes jeitositos!

 

Mas nem sequer tive tempo para desfrutar desses ciúmes. Enquanto converso com o Paulo, de repente, sinto algo a roçar-me nas pernas... “Mas... o que é isto?!?”, pensei eu. Olhei para baixo e estava o Skimble à volta das minhas pernas, todo dengoso, tal e qual um gato, a roçar-se nas minhas pernas... uma ternura incrível! Simplesmente fantástico! Eu, feita parva, continuei à conversa enquanto me ria... quem pareceu não gostar muito da atenção que dei à cena (ou melhor, falta dela) foi o próprio Skimble! Como se estivesse chateado por eu nada lhe ligar, pega e pimba! Manda-me um encontrão nas pernas com o corpo e vai ligeirinho para o palco!

 

Eu, que quase caí (obrigada Paulo), espatifei-me a rir mas penso que foi do nervoso que senti por ouvir a maior parte do Coliseu a rir já que tinham assistido à cena em directo e a cores! Fiquei tão vermelha... e cá com uma raivinha! Mas confesso que no fim achei um piadão... embora fique no ar uma vingançazinha que devo ao fabuloso Skimble – John McManus, quando te apanhar digo-te das boas!

 

Bem, demorou ainda um bocadito até eu voltar ao meu lugar (na verdade o Velho Deut já estava a cantar quando me sentei), mas quando o fiz estava cá com um espírito...

 

O segundo acto começou então com todos os gatos reunidos à volta do Velho Deuteronomy, num momento de repouso relaxante. O próximo candidato aparece acompanhado por Jellylorum que o ajudou a juntar-se ao grupo. Trata-se de Gus, do qual falaremos na próxima cena. Assim que se senta, Deut recita para os Jelicais (e porque não para nós também) num tom reflectivo o poema chamado “Os Momentos da Felicidade”.

 

Nas suas sábias palavras, nós “vivemos a experiência, mas evitamos o seu significado, e o abordar do significado poder restaurar a experiência numa outra forma além de qualquer significado que possamos dar à felicidade”. Deuteronomy parece tentar ensinar algo aos gatos, embora para já eles ainda não percebam o quê. De lembrar que no fim do primeiro acto, o velhote foi a única testemunha da dor e vontade de ser aceite de Grizabella. Provavelmente ele está a tentar abrir os olhos dos Jelicais.

 

Como a mente dos gatos parece não estar disposta a abrir-se para esta mensagem, Deut embarca numa nova táctica: telepaticamente manda uma mensagem a qual é recebida inicialmente por Coricopat. Este em sinal de que a havia recebido, põe-se de gatas a fitar a audiência e levanta a mão direita e estremece-a até Tantomile receber a mensagem, pôr-se de joelhos e finalmente agarrar a mão do irmão... Então Jemima agarrou a mão de Tantomile e levantou-se para cantar a mensagem que Deut acabava de lhes passar: Jemima levou várias pessoas da audiência às lágrimas ao entoar angelicalmente “Memory”2. Ela disse aos Jelicais para olharem para a lua e deixarem as suas recordações levá-los numa viagem até a uma altura em que eles eram completamente felizes... e então quiçá eles consigam encontrar um novo significado nas suas vidas que derive dessa memória.


 
             Jemima, Tantomile e Coricopat ainda estupfactos pelos momentos
                                            que acabaram de viver...

 

Assim que Jemima acabou de cantar, o contacto quebrou-se e os três gatos olharam uns para os outros tentando perceber o que tinha acabado de acontecer. Mas a mensagem tinha finalmente passado a barreira do incompreensível e todos os outros Jelicais tentavam interpretá-la enquanto faziam ressoar as palavras que Jemima acabava de lhes proferir. E quando parece que realmente tinham atingido o núcleo fulcral da mensagem, todos se levantam e... o momento passou... Perderam a sua concentração e começam a cirandar novamente pela lixeira...

 

E chega então a vez de Gus ser conduzido até ao centro do palco...

 

 



1 “A experiência do passado restaurada pela intenção não é a experiência de uma vida apenas mas de muitas gerações – não esquecendo algo que é provavelmente completamente inexplicável”
2 A 7 de Outubro, a emoção de se ouvir novamente a famosa melodia de “Memory” cantada ao vivo foi recebida com um forte aplauso... bem merecido! Jemima (Louise Barratt) tem uma voz doce e potente...
sonhado por zia às 05:51
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