Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Um gato especial

CATS: Acto II, Cena 2 - Gus o Gato do Teatro

                                 O Velho Gus e Jellylorum


“I’d a voice that would soften the hardest of hearts whether I took the lead or in character parts […] and I say now these kittens they do not get trained as we did in the days when Victoria reigned, they never get drilled in a regular troupe and they think they are smart just to jump through a hoop”[1]

 

No silêncio da noite, toda a atenção concentra-se num gato que se tinha juntado aos Jelicais na cena anterior. Sentado numa lata de tinta, o velho gato olha fixamente para o público. A seu lado, olhando-o com uma ternura incrível, está Jellylorum e é pela voz desta que nos é apresentado um dos candidatos mais prováveis a ascender à camada celestial.

 

 


Trata-se de Aspargus, ou simplesmente Gus, o Gato do Teatro[2], um actor famoso e aclamado no seu tempo e que se sente muito orgulhoso dos seus feitos. Hoje, um felino velhinho de ar triste que sofre de paralisia que lhe faz tremer as patas, vive das suas memórias e passa a maior parte do seu tempo nas traseiras do bar vizinho, relembrando a quem queira ouvir histórias de um tempo em que andava na ribalta.

 

É então que meio trôpego Gus pega nas rédeas e decide contar-nos (com um certo exagero) sobre as suas escapadelas e travessuras, reivindicando que “nada se iguala – pelo que ouço dizer – aquele momento de mistério, em que eu fiz história como Firefrorefiddle, o Demónio das Montanhas.”

 

Gus, conta-nos Jelly, actuou com actores de renome como Irving e Tree[3] e até entrou de rompante numa produção de Shakespeare quando um actor mencionou a necessidade da presença de um gato. Mas Gus, com a sua voz doce, revela-nos que acha que os gatos do teatro de hoje em dia não são tão empenhados quanto os gatos do seu tempo, os tempos mudaram e os gatos também... e então Jelly encoraja a audiência a aplaudir Gus!

 

Ouvir o aclamar da audiência parece ter dado uma nova força a Gus que nos conta mais um acto de coragem da sua parte, incluindo o facto de ter encarnado a personagem de Growltiger... e ainda se sente capaz de o fazer novamente... e a sua voz fica mais forte e alta à medida que as luzes vão baixando...




[1] “Eu tinha uma voz capaz de amaciar o mais duro dos corações, quer fosse em papéis secundários ou principais [...] e digo-te que agora estes gatitos não são treinados como nós éramos quando Victoria reinava, eles nunca ficam muito tempo numa trupe e pensam que são espertos por saltar o aro”

[2] A relação entre estes dois gatos não está bem definida, mas a mim quer-me parecer que Jellylorum é filha de Gus ou então alguém muito chegada a ele...

[3] Sir Henry Irving (1838-1905) foi um dos nomes mais sonantes entre os actores britânicos do século XIX; Sir Herbert Beerbohm Tree era um actor e produtor britânico notável pelas suas dispendiosas produções de Shakespeare (1853-1917)

sonhado por zia às 23:50
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2 comentários:
De José Gomes a 27 de Dezembro de 2006 às 18:11
Gus traz-nos toda a nostalgia do passado.
Chamaste-nos, na tua crónica, a atenção de certos pormenores que, ao comum dos espectadores passaram despercebidos... e estes teus artiogos estão a dar uma nova interpretação ao musical.
Continua.
Um beijo.
JG
De Milú a 27 de Dezembro de 2006 às 15:55
Tal como Gus todos nós gostamos de recordar com algum saudosismo e orgulho as nossas façanhas do passado...
Beijinhos,
Milú

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