Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

Pouca-terra, pouca-terra... muita luz, muita luz!

CATS: Acto II, Cena 4 - Skimbleshanks o Gato do Caminho-de-Ferro

   Skimbleshanks... um gato muito brincalhão, que leva o seu “emprego” a sério...

 

“And he gives you a wave of his long brown tail and says ‘I’ll see you again’! You will meet without fail in the midnight rail the cat of the railway train[1]

 

Jemima, entristecida pela história de Gus, aproxima-se de Deuteronomy que a reconforta chamando-lhe a atenção para um gato muito especial: Skimbleshanks. Subitamente a música expulsa o silêncio, a luz volta a dar vida à lixeira e a melodia que se ouve remete-nos como que por magia até uma estação de comboios imaginária...

 

Mas... onde está Skimble? Todos os Jelicais começam a cantar com cordialidade sobre o gato adorado pela tribo inteira, uma espécie de Tio para todos eles. Eles procuram-no em todo o lado, até que as luzes do palco denunciam o local onde Skimble pode ser encontrado a dormir... profundamente!

 

Um aumento no pitch das vozes que procuram por Skimble acorda-o atarantado[2] e ele começa a apressar-se, contando jovialmente sobre as suas responsabilidades de felino residente da Carruagem-Dormitório.

 

Skimble canta sobre a importância de ter um olho sempre aberto… e então depara‑se com Victoria a dar um encontrão a Jellylorum para esta sair do seu lugar, o que o obrigou a intervir. Jelly acabou por lhe dar uma moeda e ele, chegando-se ao lado, deu-lhe uma dentada para ver se era verdadeira! Ao ver que era real, meteu-a ao bolso e continuou na sua monitorização. Desta vez Carbucketty e Bill Bailey estavam a causar alguma agitação… Os gatitos formaram então um meio círculo à volta de Skimble e este começou a falar sobre como dirige as coisas nos seus domínios, e ilustra-o ao simular a caça de um rato, o qual atira para Munkustrap que tem de correr para o apanhar.

 

Basicamente as tarefas de Skimble são as de ajudar os funcionários a manterem os passageiros na zona para qual compraram bilhete, e verificar se os próprios funcionários respeitam as regras, assegurando-se da satisfação de todos os que viajam na sua carruagem.



 

A certa altura os gatitos dispersam-se para novamente se juntarem num esforço para edificarem um modelo em grande escala de um comboio, feito com... o que mais?, pedaços aleatórios do que se pode encontrar naquele grande recreio: rodas de bicicletas, pistões, um foco de luz[3].

 

Durante a improvisação do comboio, vemos os Jelicais a terem papéis diversos na sua construção. Por exemplo, o cano que faz da chaminé do comboio é segurado por Bill Bailey; 3 das rodas são seguradas por Alonzo, Coricopat e Carbucketty; e Cassandra e Victoria seguram no pistão do lado esquerdo. Quando já está tudo pronto, Quaxo dá o toque final e senta-se à frente da pseudo-locomotiva com um holofote[4].

 

Todo contente, ele lá acende a coisa e... zás! Penso que em todos os espectáculos eles tentam encadear alguém, mas em quem é que ele iria acertar com aquele feixe de luz desta vez? Bingo! Em cheio em mim e na minha mãe! E onde havia de acertar em cheio? Bang! Directamente nos nossos olhos!!! Ora muito obrigada ao senhor Pelletier! Perfeito! Não deves ter visto as nossas gesticulações aflitas (quase nos cegaste), ou então estavas a adorar a cena...

 

Mas enfim, a criação dos Jelicais lá se vai movendo com um ruído atractivo (proporcionado pelas queens) para grande satisfação e contentamento de todos até que... oooops, o comboio simplesmente se desintegra todo! Terá apenas acontecido, ou haverá um pequeno erro nas atenções que Skimble deveria ter?!?

 

Coincidências à parte, os Jelicais reprimiram o riso já que não queriam ferir o orgulho de Skimble que queria que tudo corresse perfeitamente. Porém ele também tem um bom sentido de humor e acabou por sorrir, encolheu os ombros e na sua cara estava estampada uma expressão que parecia dizer “enfim...” e sem demoras lá volta ao seu saltitar encantador e conduz o velho Deuteronomy respeitosamente de volta ao seu lugar, antes de subir orgulhosamente a um palanque composto pelas costas robustas de Mungojerrie, e como que em sinal de que tinha acabado de fazer um grande feito, coloca o pé esquerdo em cima dos ombros de Munkustrap.

 

CRASH!...




[1] “E acenando com a sua longa cauda castanha ele diz ‘até à vista’! Voltaremos a encontrar sem falta no correio da meia-noite o gato do comboio do caminho-de-ferro”

[2] 28 de Outubro: quando Skimble deu um salto ao acordar, a minha mãe deu outro salto e soltou um reconhecimento animado: “É o meu gato!” – ela reconheceu o gato a quem havia feito festinhas com o meu pai, e que quase me deitou ao chão!

[3] Efeitos especiais ocasionais, muito bem coordenados, dão a ideia de que sai fumo da chaminé da locomotiva...

[4] 28 de Outubro: durante este espectáculo parece haver uma data de pessoas com quem queremos ajustar contas... desta vez eu e a minha mãe ficamos com uma vontade danada de subir ao palco e tirar o holofote das mãos do engraçadinho (Jean-Claude Pelletier)!

sonhado por zia às 22:23
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

Fantasmas do passado...

CATS: Acto II, Cena 3 - A Última Batalha de Growltiger, incluindo A Balada de Billy McCaw

                  Rum Tum Tugger, Quaxo, Skimbleshanks e Munkustrap
                         na pele de quatro dos piratas de Growltiger


 

“But the moonlight shone reflected from a thousand bright blue eyes; and closer still and closer the sampans circled round, and yet from all the enemy there was not heard a sound. The foe was armed with toasting forks and cruel carving knives. And the lovers sang their last duet in danger of their lives1

 

…de repente uma baforada de música bem alta dá o mote a Gus para se levantar bruscamente, atirando para trás o seu desmazelado manto, revelando o corpo musculado de Growltiger, um gato listrado alaranjado, preto e branco, a quem lhe falta um olho, escondido por uma pala.

 

Do cimo do palco cai o cenário de um navio ao mesmo tempo que outras partes do navio (o mastro por exemplo), “voam” dos lados. Neste palco, dentro do palco, ao leme do navio surge a tripulação selvagem de Growltiger: interpretada por Munkustrap, Rum Tum Tugger, Quaxo, Skimbleshanks e Alonzo, embonecados com vestimentas à pirata com grande profusão de cores2.



 

A tripulação canta sobre um gato bandido, o gato mais bruto que alguma vez navegou “de Gravesend até Oxford onde satisfazia os seus objectivos diabólicos, regozijando-se do seu título de ‘O Terror do Tamisa’”.


Growltiger tem um ódio terrível por todos os gatos estrangeiros, pois a um gato Siamês se deve a falta de uma das suas orelhas. Mas ele também adora aterrorizar a sua tripulação, o que nos proporciona cenas hilariantes: Quaxo-Pirata parece ser muito assustadiço durante toda a cena e quando Growltiger explode, ele salta para os braços de Rum-Pirata! Quanto a Skimble-Pirata... presenteia-nos com uns sons de tal maneira agudos que nos fazem espantar! Ai que temos voz!

 

Entretanto entra em cena Griddlebone, ou seja, Jellylorum vestida com um fato coberto de penugem branca de avestruz. Rapidamente percebemos que esta “senhora” é a grande paixão de Growltiger. Ela entra em cena cheia de graça... ao tropeçar na sua longa cauda branca e quase cai de cara no chão! Para que possam estar algum tempo a sós, Growltiger escorraça a tripulação do convés dizendo-lhes que é hora de irem dormir.

 

Sem se aperceberem que as suas vidas estão em perigo, Growltiger e Griddlebone, em jeito de corte, cantam um dueto chamado a "Balada de Billy McCaw". Apesar do intuito de Growltiger ser cortejar Griddlebone (a única gata para quem tem... olho), ela parece querer roubar-lhe o espectáculo, já que não gosta, que lhe façam sombra e quer ser ela a estrela.

 

Ao comando de Ghengis3, os outros Jelicais entram em palco trajando máscaras cintilantes, armaduras enfeitadas com lantejoulas e olhos brilhantes e entoando vozes com um sotaque chinês: são os Siameses que avançam rapidamente e cercam o casal que é apanhado desprevenido. Griddlebone prova ser uma mestre em fugas já que rapidamente se escapuliu, mas... Growltiger...

 

... é confrontado com um duelo quando Ghengis entrega uma espada extra que estava escondida atrás do leme. Ambos fazem uma pausa e respiram fundo antes de começarem a lutar. Growltiger consegue levar a melhor e enquanto está ocupado a vangloriar-se, Ghengis põe-se de pé e aponta a espada... hmmm... para as regiões baixas! Growltiger rapidamente recua, mas a ponta de outra espada fica-lhe encostada às costas e o Gato Bandido é finalmente capturado. Forçado a andar na prancha, Growltiger tapou o nariz antes de saltar... E então, “aquele que levou centenas de vítimas até ao abismo, no fim dos seus crimes foi forçado a ir num pé e saltar no outro!”

 

No fim, Ghengis fica a sós no palco, relampejando a sua espada. Ao virar-se, quem ele vê é Gus, que lhe estende a mão, como se tentasse alcançar um sonho... então Ghengis saúda o velho gato e lentamente gira sobre si mesmo até sair do palco enquanto Gus se embrenha novamente na lembrança do seu papel de Firefrorefiddle, o Demónio das Montanhas.


Sentindo-se miserável e cansado, mas ainda acreditando que poderia interpretar
novamente todos aqueles papéis, Gus sai acompanhado pelo resto da tribo, enquanto ecoam as suas palavras: “poderia fazê-lo novamente...”




1 “Mas o luzir do luar reflectiu desde mil olhos azuis e cada vez mais próximo as sampanas cercaram‑os, todavia do inimigo não se ouvia nem um pio. O adversário estava armado de garfos de espeto e cruéis facas de talhar. E os amantes contaram um último dueto em perigo de suas vidas”

2 7 Outubro: esta parte do espectáculo saiu-me como uma surpresa e é capaz de ser uma das cenas das quais me lembro mais e ao mesmo tempo da qual me lembro menos, já que foi algo que me apanhou de surpresa. Sabia que tinha visto o vídeo todo com atenção, por isso esta parte é mesmo um extra em relação ao DVD. Gostei do facto de ver algo completamente novo e principalmente porque achei uma cena com uma vida extrema. Dá para rir, para nos encolhermos um bocado mais e até mesmo para ficarmos com a música no ouvido... a Balada de Billy McCaw é simplesmente ternurenta... sim senhor, de se lhe tirar o chapéu! E os siameses? Aquele Ghengis parece mesmo siamês... boa voz! 100% (pena não poder pôr um vídeo a sério aqui porque esta cena não há em vídeo já que o Sir John Mills era velho de mais –mais de 90 anos– para poder interpretar Growltiger no DVD)

3 Ghengis, o chefe dos Siameses, é interpretado pelo mesmo actor que interpreta Coricopat (Philip Comley), embora eu só me tenha apercebido disso quando vi o espetáculo pela 3ª vez em Bristol (dia 9 de Dezembro) – talvez porque estava mesmo à frente deu para ver mais pormenores... mas mantenho a ideia que tenho desde a primeira vez que vi esta cena: o Ghengis tem uma voz espetacular! E foi uma óptima actuação por parte do actor, numa cena em que envolve imensa dansa acrobática e requer uma óptima coordenação de movimentos...

sonhado por zia às 12:55
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Um gato especial

CATS: Acto II, Cena 2 - Gus o Gato do Teatro

                                 O Velho Gus e Jellylorum


“I’d a voice that would soften the hardest of hearts whether I took the lead or in character parts […] and I say now these kittens they do not get trained as we did in the days when Victoria reigned, they never get drilled in a regular troupe and they think they are smart just to jump through a hoop”[1]

 

No silêncio da noite, toda a atenção concentra-se num gato que se tinha juntado aos Jelicais na cena anterior. Sentado numa lata de tinta, o velho gato olha fixamente para o público. A seu lado, olhando-o com uma ternura incrível, está Jellylorum e é pela voz desta que nos é apresentado um dos candidatos mais prováveis a ascender à camada celestial.

 

 


Trata-se de Aspargus, ou simplesmente Gus, o Gato do Teatro[2], um actor famoso e aclamado no seu tempo e que se sente muito orgulhoso dos seus feitos. Hoje, um felino velhinho de ar triste que sofre de paralisia que lhe faz tremer as patas, vive das suas memórias e passa a maior parte do seu tempo nas traseiras do bar vizinho, relembrando a quem queira ouvir histórias de um tempo em que andava na ribalta.

 

É então que meio trôpego Gus pega nas rédeas e decide contar-nos (com um certo exagero) sobre as suas escapadelas e travessuras, reivindicando que “nada se iguala – pelo que ouço dizer – aquele momento de mistério, em que eu fiz história como Firefrorefiddle, o Demónio das Montanhas.”

 

Gus, conta-nos Jelly, actuou com actores de renome como Irving e Tree[3] e até entrou de rompante numa produção de Shakespeare quando um actor mencionou a necessidade da presença de um gato. Mas Gus, com a sua voz doce, revela-nos que acha que os gatos do teatro de hoje em dia não são tão empenhados quanto os gatos do seu tempo, os tempos mudaram e os gatos também... e então Jelly encoraja a audiência a aplaudir Gus!

 

Ouvir o aclamar da audiência parece ter dado uma nova força a Gus que nos conta mais um acto de coragem da sua parte, incluindo o facto de ter encarnado a personagem de Growltiger... e ainda se sente capaz de o fazer novamente... e a sua voz fica mais forte e alta à medida que as luzes vão baixando...




[1] “Eu tinha uma voz capaz de amaciar o mais duro dos corações, quer fosse em papéis secundários ou principais [...] e digo-te que agora estes gatitos não são treinados como nós éramos quando Victoria reinava, eles nunca ficam muito tempo numa trupe e pensam que são espertos por saltar o aro”

[2] A relação entre estes dois gatos não está bem definida, mas a mim quer-me parecer que Jellylorum é filha de Gus ou então alguém muito chegada a ele...

[3] Sir Henry Irving (1838-1905) foi um dos nomes mais sonantes entre os actores britânicos do século XIX; Sir Herbert Beerbohm Tree era um actor e produtor britânico notável pelas suas dispendiosas produções de Shakespeare (1853-1917)

sonhado por zia às 23:50
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